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O Brasil e sua imagem no exterior

 

Dentro do atual quadro de aprofundamento do fenômeno da globalização, torna-se cada dia mais relevante as ações que promovam o aprimoramento da imagem de um país, pois a ela estará associado o conceito universal sobre a sua respectiva sociedade, e o que é mais importante, sobre a qualidade de seus produtos de exportação, a confiabilidade de sua economia para atrair investimentos externos, e a atratividade de seu turismo doméstico para estrangeiros.

Desnecessário se torna argumentar sobre a resultante destas três variáveis - exportações, investimento externo e turismo estrangeiro - sobre o nível de renda e de emprego em nosso País. Portanto, a questão de investimento institucional na imagem do Brasil não é uma mera questão de patriotismo ufanista, ou de ingênuo orgulho nacional. Trata-se, isto sim, de uma questão pragmática, que resulta em fatos concretos e tangíveis no nível de atividade da economia, e que merece por isso uma atenção e dedicação profissional, tanto por parte do setor público, como por vários segmentos do setor privado, que são diretamente beneficiários dessa desejada melhoria da imagem.

A construção da boa imagem de um país é uma tarefa árdua e complexa, que exige estratégias bem concebidas de médio a longo prazo, e que exige antes de mais nada uma profunda noção de auto-crítica, que permita identificar fraquezas e virtudes de uma nação ou de um povo aos olhos de um estrangeiro. Alguns paradigmas que podem exemplificar esta noção de imagem nacional já estão nitidamente definidos para alguns países no mercado internacional: ninguém duvida, por exemplo, que a imagem da Alemanha está associada aos conceitos de alta precisão, modernas tecnologias, e alta confiabilidade; a França, por sua vez, está associada à imagem de sofisticação, produtos de alto luxo e valor estético; já a Itália destaca-se pela imagem de seu criativo e elegante design em vários campos da indústria de bens de consumo; o Japão tem a sua imagem associada a miniaturização e inventividade no setor eletro-eletrônico; e os Estados Unidos têm como imagem principal a funcionalidade e a tecnologia aplicada nos vários segmentos de sua pujante economia, com destaque no passado mais recente para as empresas de software e informática, aeroespaciais, e serviços em geral.

Neste contexto, avalia-se que a imagem do Brasil como país e como sociedade está associada a noções de modernidade (Brasília), criatividade (futebol, música), informalidade (jeitinho), espontaneidade (calor humano), alegria (Carnaval, festas), e cordialidade (hospitalidade, generosidade), todas características positivas. No entanto, não temos uma imagem bem fixada no cenário internacional, e disso resulta uma perigosa vulnerabilidade na mídia impressa e eletrônica, nem sempre realista, e muito menos favorável ao nosso país. Cabe destacar, por exemplo, a sórdida campanha levada a efeito contra o Brasil no final dos anos 80 a respeito de nossa alegada irresponsabilidade com o meio ambiente, quando na verdade os grandes vilões nesse campo eram e continuam sendo até hoje os próprios países desenvolvidos.

Seguindo essa linha de raciocínio, cabe verificar de que forma o Brasil poderia utilizar seus principais valores culturais e humanos no esforço de promoção de nossas exportações e de nossas empresas no exterior. Nossa imagem internacional ainda é bastante associada a estereótipos relacionados ao exótico, à natureza, ao futebol-arte, ao Carnaval, elementos que, não podemos negar, fazem parte de nossa essência cultural, mas que não esgotam ou eliminam outros aspectos virtuosos de nossa sociedade e economia.

Dessa constatação resulta a necessidade de se definir novas estratégias de difusão da imagem internacional do Brasil, que a associem também a aspectos relacionados com a qualidade, a criatividade, a modernidade e a confiabilidade, todas essas virtudes que gostaríamos de ver associadas aos nossos produtos de exportação.

Importante também seria angariar junto ao público internacional, e principalmente junto a líderes políticos e empresariais, a mídia, e enfim junto aos formadores de opinião, uma imagem favorável e simpática para nosso País, que também resulte na expansão dos fluxos de turismo e de capital estrangeiro.

Cabe destacar que atuam nessa área inúmeras instituições públicas e privadas, que objetivam tanto a excelência da imagem geral do País, como de seus respectivos campos de atuação. Entre outras, poderíamos relacionar o Banco do Brasil, com suas dezenas de agências espalhadas por países da Europa, América Latina e do Norte, e Ásia; a Embratur, responsável pela promoção do turismo brasileiro no exterior; a Apex - Agência de Promoção das Exportações, ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, responsável pelas inúmeras ações de promoção das exportações brasileiras; o DPR- Departamento de Promoção Comercial do Ministério de Relações Exteriores, também relacionado com a promoção de nossas exportações, turismo e captação de investimentos estrangeiros através da rede de embaixadas e consulados espalhados pelo mundo.

A força conjugada dessas instituições governamentais, somada a parcerias com o setor privado, através de associações de classe e de instituições de comércio exterior, como a Funcex - Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior, a AEB - Associação de Comércio Exterior do Brasil, a Fiesp - Federação de Indústrias do Estado de São Paulo, representa um vetor de razoável poder de fogo para levar a cabo uma missão desta relevância. Torna-se imperativo, no entanto, para a otimização dos esforços nesta direção, que o Governo Federal, através do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, assuma com firmeza a coordenação dessas atividades relacionadas à promoção da imagem do Brasil no exterior, e que estimule múltiplas parcerias com o setor privado, de forma a orientar também as ações paralelas do setor privado na mesma direção.

A título de exemplo, poderíamos imaginar uma série de eventos culturais e esportivos, aonde a promoção da imagem do Brasil e de seus produtos de exportação poderia ter um resultado extremamente positivo:

. shows de destacados músicos e intérpretes brasileiros nas principais capitais e cidades do mundo, incluindo turnês programadas, bem como eventos específicos, como a comemoração dos 43 anos do show de lançamento da bossa nova no Carnegie Hall em Nova Iorque, ou do falecimento de nosso compositor-mor Antonio Carlos Jobim (o maravilhoso show Jobim Sinfônico está por lá !!).

. propaganda e promoção da imagem do Brasil e dos produtos de exportação brasileiros nos principais eventos esportivos mundiais em que o Brasil se destaca, como o automobilismo (Fórmulas Indy, Um e Três), tênis, futebol, vôlei, natação, atletismo, hipismo, iatismo, etc.

. produção de filmes e programas televisivos que promovam a imagem do País e de produtos de exportação para exibição em circuitos internacionais de cinema e de televisão.

. participação de ícones brasileiros de fama internacional (Pelé, Ronaldo, Guga, Lucélia Santos na China, Zico no Japão, etc.) em eventos promocionais como feiras internacionais, missões empresariais, festivais de gastronomia, desfiles de moda brasileira, entre outros.

. edição e distribuição de livros promocionais de produtos brasileiros, por exemplo, sobre design brasileiro, turismo de aventura e de lazer no Brasil, pedras e gemas preciosas do Brasil, entre outros títulos do gênero.

. festivais de cinema e de música brasileira em centros internacionais de cultura e de negócios.

. seminários e palestras sobre a economia, a cultura, o turismo no Brasil para variados públicos-alvo, divulgando informações positivas e atualizadas de nosso País.

. kits escolares para o nível básico, trazendo aos jovens estudantes de diversos países do mundo informações básicas sobre a geografia, a história, a cultura, a política e a economia do Brasil, de forma que as novas gerações em outros países saibam melhor sobre este gigantesco e fascinante país que é o Brasil.

Em eventos como esses poderemos mostrar que o Brasil também é o país que produz excelentes e modernas aeronaves regionais, que produz uma carne bovina, suína e de frango saudável e saborosa, que é o país que produz móveis de formidável estética e design, que produz sapatos quase tão bons como os europeus e quase tão baratos como os chineses, que também fabrica ônibus, caminhões e veículos que circulam por quase todo mundo, que é o maior exportador mundial de suco de laranja, café ( melhor que o colombiano), açúcar, soja, entre várias outras commodities agrícolas, que tem a caipirinha e pão de queijo para a happy hour ao redor do mundo, que tem a melhor moda praia do mundo e as modelos mais bonitas entre todas nacionalidades, que tem um sistema de votação eletrônica e de tecnologia bancária sem paralelo no mundo, e tantas outras virtudes e casos de sucesso que, sem ufanismo, poderíamos passar horas relacionando. Por que não divulgar extensivamente e intensivamente tudo isso, de forma profissional e organizada?

Enfim, muito pode ser feito em prol da imagem do Brasil através desta iniciativa coordenada entre o Governo e o setor privado, e que se bem conduzida poderá resultar na criação de milhões de novos empregos e de bilhões de dólares de acréscimo na renda nacional, resultantes dos efeitos sobre as exportações, o turismo e o fluxo de investimento direto estrangeiro na economia brasileira. Em boa hora, e antes tarde do que nunca, existe hoje uma nítida consciência da necessidade de atuação nesta área de promoção da imagem do país. É hora de agir.

   

Roberto Giannetti da Fonseca, economista e empresário, é diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e presidente da Funcex - Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior.

 

Roberto Giannetti da Fonseca (foto: Rubens Ito / CCIJB).

 

 

 

 

 

 

 

 

CCIJB - 21/08/2007